18 dezembro 2005

declarações

Eu, homedareia, declaro:
  • de areia, sim, mas sou homem.
  • tenho ideias, mas não quero ter dogmas.
  • falo breve, mas não fico calado.
  • procuro meu arrumo sem rumo.
  • andar o caminho é o destino.
  • divergência é origem de convergência.
  • disse: é assim; digo: talvez.
  • não quero enlaçar ninguém, mas não desligo.
  • estive e foi óptimo.
  • minhoquinha é bicho muito simpático.
  • falo a sério, mas brinco até.

26 outubro 2005

vertebrar

Acho que, se calhar, o verdadeiro problema à hora de vertebrar à Galiza é que é um pais rico em moluscos, não é?

molusco. do Lat. molluscu. s.m. animal de corpo mole, sem vértebras nem articulações, e ordinariamente envolvido em concha calcária; (no pl.) uma das divisões dos invertebrados.

23 junho 2005

abrolha, que fica cousa

cadeia
pois sim, algo abrolha novo na Galiza; obrigado aos de vieiros. eu não darei chegado em tempo, mas se por acaso caes cá, vai para .

horóscopo. o trunfo não está en vencer, senão em jamais se render.

21 junho 2005

espreguiço-me?

despreguiçando_©ictioscopioNão sei, não sei, o que é que vai acontecer. Botei afora da Galiza case que nove anos, muitas mudanças para mim; e para a terrinha... não sei se tantas (nestes anos governaram sempre os mesmos). Desde cá, desde o exílio, como disseram uma vez os de Vieros, houve instantes nos que semelhava ter nascido num lugar inexistente, as novas que chegavam era ralas, e as mais das vezes malas, ou pouco boas (Prestige, peches de empresas, desastres vários, corrupção política, alcaldes violadores...). Não sendo por cousas dessas minha terra era uma cousa perdida na memória da meninice, de tempos lendários case... Nada mais era real quando chamava aos meus pais ou meu irmão e falava com eles na língua mãe... mas isso foi nos primeiros tempos, após (há quatro anos) descobri a grande rede de redes, e achei que aquela terrinha ficava viva, se calhar de jeito virtual, mas existia. Assombrava-me mesmo ver que eramos muitos, de cada vez mais, e senti que reagia algo na Galiza, mas sempre governavam os mesmos; e fóra do virtual a terra avançava de vagar, as estradas com atraso, os comboios com atraso, a pesca mirrada, a produção láctea abafada pela Europa, perdiamos deputados no Estado Central a defender-nos...
De dous anos para cá, algo mudou, a sociedade galega começa espreguiçar-se, não todos, não, mas alguns, muitos, ou poucos ainda, mas vão medrando, de vagar, tudo é de vagar lá, mesmo a chuva... E eu? eu não sei, sempre não sei, só sei que regresso à Terra, acho que botei longe dela muito tempo, deixei-a abandonada, não acreditava abondo nela, na sua gente, mas porque não acreditava em mim, isso era... precisamos acreditar em nós, é cousa de um próprio, não do lugar, o lugar fazemo-lo nós. Agora procuro aços no meu interior. Espreguiço-me trás do sonho, do sono... o que vem, é real.

01 junho 2005

não quero ser boi

boi votandoDisse que o boi é de lá onde ele pasce, e não de onde nasce. Mas eu não sou boi nem quero se-lo, sou galego porque nasci na Galiza; bem eu sei que é cousa do acaso e poderia ter nascido mesmo coreano (por dares um exemplo qualquer). E ainda que um quere ser, maiormente, cidadão do mundo, tamém ter hei uma obriga coa tradição e costumes do paisinho onde me fum educando coma ser humano, e interesarme pelo seu progresso e o jeito de face-lo. Todo isto vem a conto de que no vindeiro mês de junho, uma vez mais, não poderei votar nas eleições ao Parlamento da Galiza. Levo fora oito anos e meio, em Madrid, e empadroei-me cá por questões burocráticas necessárias. E acontece que por cousa desse só feito deixei de ser galego a nível estatístico (aplicado ao dereito ao voto). Pelo contrário, um nascido galego que leva na Argentina, ou no Brasil, trinta ou quarenta anos (ou se calhar, já morreu) sim tem esse dereito... e a questão é: sou eu menos galego ca essoutro? Acho que não, então, qual é a causa do meu recorte de dereitos? Quero seguir a ser galego, sempre, igual ca sou do lugar d’O Pinheiro, paróquia de Darvo, no concelho de Cangas do Morrazo. Importa-me o futuro da terra onde medrei, quero ser de onde nasci, e não de onde temporariamente pastei, não quero ser um boi submisso; é por isso todo que retorno, para ser quem sou e reger a minha vida uma outra vez.

20 março 2005

reflexões quebradas

eu coa mão escachadaLevo já uns dias coa mão esquerda quebrada. Eis um desenho feito coa minha dereita, que é a má quando a esquerda, a boa (sou canhoto) funciona optimamente.
Quinze dias manco da mão esquerda, com muito tempo para cismar, tempo de mais, e ainda restam quatro semanas mais coa escaiola.
Falava noutrontem co Ike, ou melhor, dizia-me ele a mim, que na rede estava rodeado de gente com talento, e nomeava alguns... mas eu disse-lhe que o talento não era cousa muito extraordinária, mas abundante; a questão é que era difícil atopa-la ou que chegase a ser popular, e agora, coa www, há mais oportunidades para que gome, e por isso.

Com isto da mão, concluí que por mais que o ser humano tiver um cérebro privilegiado, sem as mãos, para bem ou mal, não teria chegado até aqui. As cousas mais parvas que antes fazia, são agora tarefa de titã. Isso sim, tenho tempo a fartar para tudo, mesmo para reagir isto.