21 junho 2005

espreguiço-me?

despreguiçando_©ictioscopioNão sei, não sei, o que é que vai acontecer. Botei afora da Galiza case que nove anos, muitas mudanças para mim; e para a terrinha... não sei se tantas (nestes anos governaram sempre os mesmos). Desde cá, desde o exílio, como disseram uma vez os de Vieros, houve instantes nos que semelhava ter nascido num lugar inexistente, as novas que chegavam era ralas, e as mais das vezes malas, ou pouco boas (Prestige, peches de empresas, desastres vários, corrupção política, alcaldes violadores...). Não sendo por cousas dessas minha terra era uma cousa perdida na memória da meninice, de tempos lendários case... Nada mais era real quando chamava aos meus pais ou meu irmão e falava com eles na língua mãe... mas isso foi nos primeiros tempos, após (há quatro anos) descobri a grande rede de redes, e achei que aquela terrinha ficava viva, se calhar de jeito virtual, mas existia. Assombrava-me mesmo ver que eramos muitos, de cada vez mais, e senti que reagia algo na Galiza, mas sempre governavam os mesmos; e fóra do virtual a terra avançava de vagar, as estradas com atraso, os comboios com atraso, a pesca mirrada, a produção láctea abafada pela Europa, perdiamos deputados no Estado Central a defender-nos...
De dous anos para cá, algo mudou, a sociedade galega começa espreguiçar-se, não todos, não, mas alguns, muitos, ou poucos ainda, mas vão medrando, de vagar, tudo é de vagar lá, mesmo a chuva... E eu? eu não sei, sempre não sei, só sei que regresso à Terra, acho que botei longe dela muito tempo, deixei-a abandonada, não acreditava abondo nela, na sua gente, mas porque não acreditava em mim, isso era... precisamos acreditar em nós, é cousa de um próprio, não do lugar, o lugar fazemo-lo nós. Agora procuro aços no meu interior. Espreguiço-me trás do sonho, do sono... o que vem, é real.

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