01 junho 2005

não quero ser boi

boi votandoDisse que o boi é de lá onde ele pasce, e não de onde nasce. Mas eu não sou boi nem quero se-lo, sou galego porque nasci na Galiza; bem eu sei que é cousa do acaso e poderia ter nascido mesmo coreano (por dares um exemplo qualquer). E ainda que um quere ser, maiormente, cidadão do mundo, tamém ter hei uma obriga coa tradição e costumes do paisinho onde me fum educando coma ser humano, e interesarme pelo seu progresso e o jeito de face-lo. Todo isto vem a conto de que no vindeiro mês de junho, uma vez mais, não poderei votar nas eleições ao Parlamento da Galiza. Levo fora oito anos e meio, em Madrid, e empadroei-me cá por questões burocráticas necessárias. E acontece que por cousa desse só feito deixei de ser galego a nível estatístico (aplicado ao dereito ao voto). Pelo contrário, um nascido galego que leva na Argentina, ou no Brasil, trinta ou quarenta anos (ou se calhar, já morreu) sim tem esse dereito... e a questão é: sou eu menos galego ca essoutro? Acho que não, então, qual é a causa do meu recorte de dereitos? Quero seguir a ser galego, sempre, igual ca sou do lugar d’O Pinheiro, paróquia de Darvo, no concelho de Cangas do Morrazo. Importa-me o futuro da terra onde medrei, quero ser de onde nasci, e não de onde temporariamente pastei, não quero ser um boi submisso; é por isso todo que retorno, para ser quem sou e reger a minha vida uma outra vez.

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